Gato Preto recorre ao Processo Especial de Revitalização e propõe perdão de 18 milhões de euros a credores e fornecedores para tentar salvar o negócio.
A cadeia de lojas de artigos para o lar Gato Preto apresentou um plano de recuperação focado na renegociação da dívida, cujo montante total chega aos 49,5 milhões de euros, e aguarda agora a decisão dos credores.
A empresa recorreu ao Processo Especial de Revitalização (PER) depois de enfrentar uma queda acentuada do negócio desde 2022. No plano, que segue depositado no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Oeste, a Gato Preto detalha que pretende obter um perdão de cerca de 80% da dívida, equivalente a 9,5 milhões de euros, por parte da banca e fornecedores. A proposta prevê também o encerramento de lojas, incluindo 10 das 15 unidades em Portugal e todas as operações em Espanha, além da venda de um armazém considerado sobredimensionado em Sintra.
Das 15 lojas, serão encerradas os espaços nas Amoreiras e Colombo, em Lisboa; Oeiras Parque, em Oeiras; Norte Shopping, em Matosinhos; Montijo; Arena Shopping, em Torres Vedras; Arrábida Shopping, em Gaia; Alegro Sintra, em Sintra; Alegro Setúbal, em Setúbal, já fechada; e Mondego Retail Park, em Coimbra. Permanecerão em funcionamento as lojas do Fórum Almada, em Almada; Freeport Fashion Outlet, em Alcochete; Mar Shopping, em Matosinhos; Palácio do Gelo, em Viseu; e UBBO, na Amadora, o que implicará, também, o despedimento de dezenas de trabalhadores.
A empresa estima que estas unidades venham a gerar vendas de cerca de 4,6 milhões de euros em 2026.
O conselho de administração justifica o recurso ao PER com a necessidade de atingir um saneamento financeiro que se tornou impossível de sustentar apenas com reforços de tesouraria por parte dos acionistas. Segundo o documento, vários fatores contribuíram para a deterioração da situação financeira, entre eles a pandemia de 2020, que provocou uma forte contração das operações, o investimento elevado num processo de rebranding e o impacto do encalhe do navio Ever Given no Canal do Suez, que aumentou significativamente os custos de transporte e causou rupturas no fornecimento de produtos sazonais essenciais.
As dificuldades traduziram-se em números: as vendas desceram de 40,2 milhões de euros em 2022 para 21,3 milhões em 2024 e deverão atingir 18,1 milhões em 2025, levando a lucros de 162.000€ em 2023 a transformarem-se em prejuízos de 14,8 milhões em 2024, com uma previsão de prejuízos de 10,9 milhões em 2025.
