A intervenção nos azulejos históricos do Palácio Nacional de Sintra prevê restauro da Sala Árabe e da Câmara de D. Afonso VI, com conclusão em 2026.
A Parques de Sintra e a World Monuments Fund – Portugal iniciaram esta segunda-feira, 26 de janeiro, a primeira fase do restauro e conservação dos azulejos do Palácio Nacional de Sintra. O projeto centra-se na preservação de um dos conjuntos de azulejaria mais significativos do património nacional e europeu, apostando em metodologias inovadoras, produção de conhecimento e colaboração com parceiros técnico-científicos.
Com conclusão prevista para julho de 2026, esta fase inicial, com duração aproximada de seis meses, incide sobre o revestimento azulejar da Sala Árabe, incluindo o pavimento e a fonte central, bem como sobre o pavimento azulejar da Câmara de D. Afonso VI. A escolha destes espaços permite trabalhar simultaneamente sobre diferentes cronologias, origens e tipologias de azulejos, criando um laboratório para testar soluções técnicas distintas e estabelecer referências para futuras intervenções no Palácio e em contextos patrimoniais semelhantes.
A iniciativa envolve especialistas nacionais e internacionais em conservação e restauro de azulejos, com o objetivo de definir orientações para intervenções in situ. Esta abordagem pretende gerar conhecimento através da sistematização de metodologias alinhadas com as melhores práticas internacionais e da análise crítica das soluções adotadas, considerando o comportamento real dos materiais.
O projeto integra ainda a colaboração de entidades da sociedade civil e do sistema científico, como o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), responsável por estudos laboratoriais sobre o desempenho futuro dos materiais, incluindo alterações de tonalidade ao longo do tempo. A Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra participa com ações de formação profissional para os alunos, enquanto o Plano Nacional das Artes desenvolve um programa educativo, com atividades abertas ao público e à comunidade escolar do concelho.
Os trabalhos decorrem in situ, permitindo que os visitantes acompanhem o processo, em linha com a política Aberto para Obras da Parques de Sintra, que visa aproximar o público do trabalho especializado necessário à preservação do património.
A segunda fase do projeto, também com duração prevista de seis meses e conclusão estimada para janeiro de 2027, concentrar-se-á na Gruta dos Banhos, abrangendo azulejos, tetos em estuque e arcadas em pedra. O valor adjudicado para a primeira fase foi de 146.719,82€, enquanto a segunda fase está estimada em cerca de 90.000€, sem contar os custos associados à investigação, supervisão científica, formação profissional e comunicação.
Foto: PSLM/José Marques Silva
