Baseada no conto de Annie Proulx, a adaptação teatral de Brokeback Mountain estreia em Lisboa a 19 de fevereiro e estará em cena até abril.
Lembram-se do filme Brokeback Mountain, com Jake Gyllenhaal e Heath Ledger nos papéis principais, tendo ganho na altura três Óscares? Pois bem, vai agora chegar ao teatro.
A peça Brokeback Mountain estreia a 19 de fevereiro na Sala Estúdio do Teatro da Trindade INATEL, em Lisboa, com encenação de Daniel Gorjão. A adaptação teatral da história conhecida do cinema chega ao palco português com interpretações de Carla Galvão, Duarte Melo, Joana Ribeiro, João Candeias e Rui Pedro Silva, permanecendo em cena até 5 de abril.
A narrativa centra-se em Jack Twist e Ennis Del Mar, dois jovens cowboys contratados para guardar ovelhas em Brokeback Mountain. O afastamento do mundo e a solidão do trabalho criam um espaço de aproximação entre ambos, dando origem a uma relação amorosa inesperada. No final da temporada na montanha, cada um regressa à sua vida, marcada por casamentos, filhos e compromissos sociais, enquanto a experiência vivida permanece como algo não resolvido. Ao longo de três décadas, os reencontros e afastamentos sucessivos evidenciam o impacto da repressão emocional, do medo e das normas sociais que condicionam as escolhas das personagens.
O texto é da autoria de Ashley Robinson e baseia-se no conto homónimo de Annie Proulx. Concebida como uma peça construída a partir da memória, a adaptação propõe um olhar retrospetivo sobre um período determinante de uma vida, abordando temas como o amor, a solidão, a intolerância e as consequências de viver em conflito com o próprio desejo. A figura do cowboy, tradicionalmente associada a uma ideia rígida de masculinidade, surge em confronto com a fragilidade emocional e a vulnerabilidade dos protagonistas.
Depois de ter estreado em Londres, em 2023, onde recebeu vários prémios, Brokeback Mountain foi apresentada no Brasil, primeiro no Rio de Janeiro, em 2024, e mais recentemente em São Paulo. A chegada a Portugal assinala a terceira encenação internacional do texto. Daniel Gorjão sublinha que o trabalho cénico parte daquilo que ficou por viver, procurando dar expressão ao silêncio e às emoções contidas, sem as explicar de forma explícita, deixando que a relação se manifeste em palco com a mesma tensão e delicadeza que atravessa a vida das personagens.
O espetáculo resulta de uma coprodução entre o Teatro da Trindade INATEL, o Teatro do Vão, o Cine-Teatro São Pedro de Alcanena e o Cine-teatro Paraíso.
Foto: Pedro Macedo
