VASP admite cortar rotas no interior do país devido a prejuízos e custos elevados, mantendo apenas distribuição nos grandes centros urbanos.
A VASP enfrenta uma situação crítica e poderá vir a cortar rotas de distribuição de jornais no interior do país, uma decisão motivada pela inviabilidade económica de manter a operação em regiões de baixa densidade populacional. Marco Galinha, presidente do conselho de administração e proprietário da Global Media, que detém o Diário de Notícias, alertou para os prejuízos contínuos que a empresa suporta, reforçando que a distribuição de imprensa deixou de ser sustentável fora dos grandes centros urbanos, como Lisboa, Porto e Coimbra.
Durante uma audição parlamentar na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, Galinha destacou que a VASP funciona como um monopólio natural, uma vez que os restantes operadores do setor faliram, e que a entrada de uma nova empresa apenas duplicaria os custos, tornando a operação ainda menos viável.
O administrador Rui Moura sublinhou que a VASP tem tentado dialogar com todos os grupos parlamentares e reuniu-se recentemente com a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), mas a situação financeira no interior do país mantém-se crítica desde 2019. Galinha frisou ainda que a empresa foi impedida de contactar diretamente o gabinete do ministro da tutela, António Leitão Amaro, e que a mudança de governo acabou por interromper projetos já preparados, incluindo um concurso para a distribuição que estava pronto a ser lançado.
Entre os fatores que agravam a situação, Galinha apontou o aumento do salário mínimo, com um impacto anual de quase um milhão de euros, e a dissolução do grupo Trust in News, que reduziu significativamente a capacidade de distribuição. Já Rui Moura lembrou aos deputados que a distribuição de imprensa não se compara à venda de bens comuns, dada a complexidade logística envolvida, e salientou que o Estado já subsidia há décadas o transporte aéreo de jornais para as regiões autónomas.
