Empresas ligadas à marca Ana Sousa acumulam 12 milhões de euros de dívida ao Estado

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A rede de lojas Ana Sousa deverá ficar apenas com quatro lojas em funcionamento em Portugal, dando trabalho a apenas oito pessoas.

A têxtil Flor da Moda, que emprega 144 pessoas, e a MJJS, responsável pela exploração das lojas de moda feminina da estilista Ana Sousa, encontram-se a negociar planos de recuperação junto dos credores no âmbito de Processos Especiais de Revitalização (PER), avança o Jornal de Negócios. Ambas as empresas são presididas por João Sousa, marido da designer, e enfrentam graves dificuldades financeiras, com dívidas que se aproximam dos 12 milhões de euros ao Estado e a outros credores.

A pandemia de covid-19 provocou uma quebra acentuada na atividade da empresa. A queda abrupta das vendas e a acumulação de resultados negativos levaram a que a faturação do braço industrial da Flor da Moda se reduzisse para um terço, fixando-se em 5,7 milhões de euros em 2024. No retalho, a MJJS registou vendas de apenas 1,7 milhões de euros no último exercício, acumulando prejuízos de 3,4 milhões de euros entre 2020 e 2024.

O recurso contínuo ao endividamento bancário aumentou os encargos financeiros e deteriorou a margem operacional, agravando a situação com o crescimento das dívidas à Segurança Social e ao Fisco. Sem capacidade de cumprir as suas obrigações, ambas as empresas recorreram ao PER.

A Flor da Moda entrou no processo com uma dívida de 8,9 milhões de euros junto de 234 credores, sendo o Estado o principal, com créditos de 4,239 milhões de euros resultantes da Segurança Social (1,166 milhões), do Fisco (144.000€) e do Fundo Imobiliário Especial de Apoio às Empresas. Entre os credores seguem-se bancos como BCP (1,1 milhões de euros), Bankinter (572.000€) e Santander (471.000€). A MJJS deve cerca de três milhões de euros, com o Estado também no topo da lista de 115 credores, incluindo a Segurança Social com 383.000€ e o Fisco com 83.000€. A Flor da Moda detém ainda um crédito subordinado de 402.000€.

Os planos de recuperação apresentados preveem negociações detalhadas com credores. A Flor da Moda propõe uma carência de dois anos, seguida de amortizações em 144 prestações mensais para os bancos e credores comuns, 60 para créditos laborais, 150 para a Segurança Social e 140 para o Fisco. Já a MJJS sugere 120 prestações para bancos e credores comuns, 60 para créditos laborais, 150 para a Segurança Social e 80 para a Autoridade Tributária.

No plano de reestruturação operacional, a Flor da Moda pretende reforçar a produção para marcas de terceiros, que deverá representar cerca de 70% do volume de negócios em 2026, e reduzir a equipa para 127 funcionários através de despedimentos coletivos. No retalho, a MJJS prevê manter apenas quatro lojas Ana Sousa – em Barcelos, Viana do Castelo, Vila Real e Setúbal –, reduzindo o quadro para oito trabalhadores e estimando uma faturação de 722.000€ para este ano.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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