Portugal integra testes europeus para melhorar a segurança nas estradas secundárias

- Publicidade -

Cascais é um dos locais-piloto do projeto CAMBER, que testa novas abordagens à segurança rodoviária em vários países europeus.

Praticamente um ano após o arranque, em janeiro de 2025, o projeto europeu CAMBER entrou numa fase operacional nos seus territórios-piloto, com atividades de recolha de dados e testes já em curso em Cascais, Trikala, na Grécia, na província da Holanda do Norte, bem como em zonas selecionadas da Croácia e de Espanha. Financiada pela União Europeia, a iniciativa procura alterar de forma estrutural a maneira como a segurança e a manutenção das estradas urbanas e secundárias são monitorizadas e avaliadas no espaço europeu, recorrendo a dados recolhidos em contexto real e a ferramentas digitais desenvolvidas especificamente para este tipo de infraestruturas.

A rede de estradas secundárias da Europa ultrapassa os 725.000 quilómetros e está associada à esmagadora maioria das mortes rodoviárias no continente. São vias utilizadas diariamente por peões, ciclistas, motociclistas, veículos ligeiros e pesados, às quais se juntam, de forma crescente, veículos parcialmente automatizados, num contexto cada vez mais exigente do ponto de vista tecnológico, ambiental e operacional. É neste enquadramento que o CAMBER, acrónimo de Connected and Adaptive Maintenance for Safer Urban and Secondary Roads, responde à falta de dados fiáveis e à necessidade de decisões mais informadas por parte das entidades gestoras, através da integração de novas fontes de informação, modelos digitais das infraestruturas e instrumentos combinados de avaliação da segurança e da manutenção.

O consórcio, que reúne 14 parceiros e cinco locais-piloto, está a testar soluções que articulam sensores instalados em veículos, dados recolhidos por smartphones e sistemas telemáticos com gémeos digitais concebidos especificamente para estradas secundárias. Estas ferramentas permitem avaliar o desempenho de sistemas avançados de assistência à condução, apoiar o planeamento de intervenções de baixo custo e identificar fatores de risco com maior rigor. A ambição passa por disponibilizar aos gestores rodoviários instrumentos aplicáveis no quotidiano, alinhados com os objetivos europeus e internacionais de redução da sinistralidade, incluindo a abordagem Vision Zero.

Nos territórios-piloto, as aplicações variam em função do contexto local. Em Cascais, autocarros movidos a hidrogénio, equipados com sensores, recolhem informação durante o serviço regular, com especial incidência na segurança dos utilizadores mais vulneráveis. Em Trikala, na Grécia, está prevista para 2026 a implementação de um sistema baseado em sensores transportados por ciclistas e de um modelo digital de um corredor urbano. Nos Países Baixos, os testes planeados combinam múltiplas fontes de dados para identificar pontos críticos em estradas e ciclovias, incluindo zonas escolares. Na Croácia, dados de elevada precisão recolhidos em estradas nacionais alimentam modelos digitais orientados para a melhoria do planeamento da manutenção. Em Espanha, na região de Burgos, uma campanha de recolha ao longo da estrada N-120 sustenta o desenvolvimento de medidas ajustadas às necessidades de ciclistas e de outros utilizadores da via.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
- Publicidade -

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Relacionados