Intervenção sustentável no ibis Styles de Lisboa utiliza têxteis Seaqual, impressão digital de baixo impacto e elementos concebidos a partir de resíduos reciclados.
O projeto BSEArcular, apresentado em Portugal em 2022 com o objetivo de explorar novas abordagens sustentáveis no setor dos têxteis e do design, tornou-se a base de um projeto piloto que agora chega ao ibis Styles Marquês de Pombal. A iniciativa parte da economia circular e do reaproveitamento de resíduos, procurando demonstrar como materiais descartados podem ganhar nova utilidade em ambientes interiores. É a partir deste enquadramento que nasce a proposta desenvolvida para a área de pequeno-almoço do hotel, concebida como uma espécie de “jardim” onde predominam soluções obtidas a partir de plástico reciclado e tecidos sustentáveis.
A presença crescente de resíduos plásticos nos oceanos, alimentada por milhões de toneladas que acabam no mar todos os anos, serve de pano de fundo para a abordagem adotada. O projeto pretende mostrar que esses materiais podem integrar projetos profissionais de decoração, desde que enquadrados num processo que privilegie a circularidade e a redução de desperdício. O objetivo passa por incentivar práticas semelhantes noutros espaços e em diferentes áreas do design.
Dentro deste cenário, a colaboração entre a Epson e os hotéis ibis Styles permitiu aplicar tecnologias de impressão digital de menor impacto ambiental, desenhadas para trabalhar diretamente sobre têxteis reciclados e outros materiais livres de PVC. A utilização de impressão por injeção de tinta reduz consumo de água, energia e produção de resíduos, ao mesmo tempo que facilita a criação de padrões e elementos decorativos.
“A remodelação do ibis Styles Marquês de Pombal concentrou-se numa área de 43 m2 destinada ao pequeno-almoço, reorganizada para receber 29 pessoas e pensada como um conjunto visual contínuo. As peças têxteis – estofos, almofadas e poufs – foram desenvolvidas em tecido FIDIVI feito a partir de poliéster Seaqual, produzido com plástico recuperado. A mesma linha gráfica estende-se aos painéis ondulados e ao tampo da mesa, que replicam o motivo criado para o fundo da sala. A cortina regulável mantém essa lógica, combinando poliéster reciclado com Seaqual, enquanto os elementos suspensos em forma de pássaros, executados em cartão pela Cartonlab, completam a composição. Todo o plástico integrado no projeto provém de material reciclado.
Para quem visita o espaço, está disponível um QR code que conduz a um vídeo sobre o processo de conceção, os materiais utilizados e os parceiros envolvidos. Entre eles encontra-se a Lisbon School of Design, responsável pela criação de várias peças e pela orientação das alunas que participaram no desenvolvimento do projeto. A experiência permitiu testar métodos adaptados a materiais que exigem técnicas distintas e reforçou a importância de integrar critérios de sustentabilidade no processo criativo.
Foto: Graziela Costa
