Com boa construção, excelente ecrã e desempenho competente, o Chuwi Corebook X 7430U tem um preço difícil de bater.
O Chuwi Corebook X 7430U é um portátil de 14 polegadas aparentemente modesto, e que rapidamente me surpreendeu muito devido ao seu custo bastante acessível de 399€ – no momento de escrita deste artigo. Com o Windows 11 e um Ryzen 5 7430U, a unidade que testei conta com 16GB de RAM DDR4 e 512GB de armazenamento interno, num pacote cuja relação qualidade-preço revela que às vezes o mercado gosta de nos pregar algumas partidas bem agradáveis.
A qualidade de construção desta solução da Chuwi é, sem exagero, sólida. Não senti fragilidades na dobradiça nem rangidos suspeitos no chassis, que costumamos encontrar em produtos mais budget. O ecrã é nítido, brilhante e com cores vivas, no uso diário o portátil mostrou-se fluido e rápido, sem soluços mesmo com várias aplicações abertas, e há ainda um pequeno bónus para quem gosta de mexer no hardware, uma vez que este Corebook X conta com um slot extra acessível para expandir a memória, na sua traseira.
Claro que existem pontos menos positivos a apontar. Por exemplo, o touchpad faz o seu trabalho, mas lembra-nos de imediato que não estamos perante um equipamento premium. O áudio também é apenas aceitável e sem grande brilho. E a sua placa de rede, a Realtek 8852BE, acabou por ser a maior dor de cabeça, já que o seu sinal é fraco e as velocidades de download caiem drasticamente quando o portátil se afasta alguns metros do router.

O design do Corebook X acabou por me agradar mais do que eu esperava de um portátil económico. Há um certo cuidado estético que se nota logo ao tirá-lo da caixa. É simples, discreto, com cantos arredondados e um logótipo da Chuwi em relevo que, apesar de minimalista, dá um toque curioso. A mistura de materiais também surpreende, com a tampa e traseira em metal e base do teclado em plástico, mas nada que transmita fragilidade. Pelo contrário, a qualidade de construção é melhor do que o habitual neste segmento. E apesar da sua boa construção, continua a ser um portátil leve e fácil de transportar. As dimensões (310 × 229,5 × 17,25 mm) e o peso de 1,4 kg tornam-no confortável para levar numa mochila sem pensar duas vezes. Porém, o acabamento mate pode ser bonito mas é um acumulador de impressões digitais, o que obriga a uma limpeza ocasional.
A webcam de 1MP é, francamente fraca, e serve apenas para desenrascar numa ou outra videochamadas. E a ausência do desbloqueio facial ou de um sensor de impressões digitais lembra-nos que este continua a ser um equipamento pensado para o essencial. Um detalhe que apreciei foi a tampa inferior com acesso fácil, uma vez que basta retirar a pequena placa para encontrar uma porta M.2 vazia. A unidade que recebi contava com 512GB de armazenamento, mas por mais de 40€ (aproximadamente) já é possível adicionar mais 512GB e ficar com 1TB de armazenamento, algo que não encontramos com muita frequência em portáteis baratos. E o mesmo é válido para a memória RAM, já que a podemos expandir até aos 64GB. Já o áudio, vindo dos altifalantes deste Corebook X 7430U virados para baixo, é apenas aceitável. Não está ao nível de dispositivos mais caros, mas também não cai naquele som oco e metálico típico dos portáteis económicos. É perfeitamente utilizável para vídeos e chamadas, sem grandes expectativas de uma experiência incrivel.
A variedade de portas é generosa, já que do lado esquerdo temos uma porta USB-C 2.0 (que também permite carregar), uma porta USB-A 3.0, a porta HDMI 1.4 (capaz de atingir 4K a 30 Hz ou 1080p a 120 Hz) e outra porta USB-C 3.0 com suporte para vídeo e carregamento. Na direita encontram-se a ranhura microSD, mais uma porta USB-A 3.0, a porta de áudio de 3,5 mm e a inevitável Kensington. Para um portátil económico, é um alinhamento de portas bastante completo. Já o teclado aproxima-se do tamanho normal e tem retro-iluminação para fácil identificação em ambientes escuros. As teclas de função vêm configuradas como F1 a F12, sendo necessário ir à BIOs para trocar as funções FN. As teclas em si são firmes, com um curso agradável, e a experiência de escrita é boa. Não há aquela sensação plástica e solta típica dos teclados destacáveis. A única estranheza está na tecla Shift direita, mais curta do que devia, o que me obrigou a algum tempo de adaptação.
O touchpad do Corebook X é grande, suporta gestos e tem aquela superfície com textura que tanto ajuda no deslizar como denuncia rapidamente as marcas dos dedos. Apesar de ser de plástico, não parece frágil e mantém-se firme durante a utilização. Os cliques são definidos e é possível arrastar objetos pressionando em qualquer zona, algo que nem todos os portáteis baratos conseguem oferecer. E como seria de esperar, não há feedback tátil, mas honestamente, durante a utilização isso deixou de ser uma preocupação.
A experiência com o ecrã do Corebook X acabou por ser uma das partes mais agradáveis da utilização. A resolução 1440p nestas dimensões dá-lhe uma ótima nitidez e apesar de a taxa de atualização se ficar pelos 60Hz, não senti falta de mais para o tipo de uso a que este portátil se destina. O acabamento brilhante, no entanto, não é propriamente o meu favorito, já que acaba por ser demasiado reflexivo, mas posso reconhecer que muita gente aprecia o impacto extra nas cores. E, de facto, essas cores brilham, já que cobre 99% do sRGB e 74% do DCI-P3, enquanto que o seu brilho máximo é de cerca de 315 nits. E podemos acrescentar a isso os ângulos de visão que também são surpreendentemente amplos, com apenas uma ligeira quebra de brilho quando se olha de lado.
No uso diário, tudo no Corebook X corre de forma fluida, desde a navegação com diversos separadores a edição de documentos ou até algum trabalho ligeiro em aplicações mais pesadas. Tal como já havia revelado este Corebook X está equipado com um processador da AMD, o Ryzen 5 7430U, que conta com 6 núcleos e 12 threads (2,3–4,3 GHz) a 15W. Quanto à gráfica integrada AMD Radeon, não é caso para milagres. Para aqueles jogos mais leves que temos em redes sociais, ou na Web, serve bem, para jogos graficamente mais exigentes e detalhados o melhor é esquecer.
No que toca à velocidades de ligação, medi cerca de 600 Mbps de download, o que chega perfeitamente para transmissões em 4K sem interrupções. Contudo, a performance do Wi-Fi varia demasiado com a distância ao router. Em outros dispositivos, consigo manter velocidades muito mais elevadas nas mesmas condições, o que confirma que a placa de rede deste Chuwi não é propriamente o seu ponto forte.
O Corebook X já conta com o Windows 11 Home pré-instalado e praticamente limpo, algo que que é de apreciar. Não encontrei aquela habitual coleção de programas dispensáveis – o bloatware -, encontrando-se apenas o Chuwi Easy Care instalado, um daqueles pequenos utilitários que vigiam a “saúde” do sistema, mas que, honestamente, nunca senti grande necessidade de o utilizar. Ainda assim, há um detalhe que parece acompanhar este equipamento, que é o facto das atualizações do Windows demorarem imenso tempo a instalar. Não sei se é uma questão de drivers, de otimização ou simples azar recorrente. Testei a instalação do patch tuesday de novembro do Windows 11 no Corebook X e em outro portátil da HP que estava a testar, e a diferença foi mesmo muito significativa. No portátil da HP demorou cerca de 6 minutos para instalar enquanto que no portátil da Chuwi demorou mais de 50 minutos.
Em teoria, a bateria de 46,2 Wh do Corebook X não inspira confiança. Na prática fui surpreendido pela positiva, com brilho do ecrã acima da média, consegui de forma consistente entre 5 e 6 horas de utilização real. Não é um feito impressionante, mas está acima do que eu esperava nesta gama. Essa autonomia faz diferença quando se utiliza o portátil fora de casa, sobretudo porque o carregamento de 65W efetuado através da sua porta USB-C elimina a necessidade de andar com um carregador proprietário. Basta levar um carregador USB-C decente, daqueles que já usamos para o telemóvel ou tablet, e a mobilidade melhora significativamente.

Ao fim de vários dias a utiliza-lo como máquina principal, este Chuwi Corebook X 7430U deixou-me com aquela sensação rara de portátil económico que sabe dar mais do que promete. É compacto, leve e suficientemente potente para tudo o que considero utilização normal, como trabalho, navegação na Internet e vídeo. A qualidade da construção é interessante, a experiência de escrita no seu teclado é confortável, o ecrã é realmente bom e até o touchpad satisfaz. E, claro, a seleção de portas também é generosa.
O grande trunfo do Chuwi Corebook X 7430U é mesmo o processador da AMD. É graças a ele que o portátil consegue manter um desempenho interessante, com uma boa autonomia. No entanto, e como seria de esperar, não é uma máquina para jogos, uma vez que a gráfica integrada nem sequer é concebida para isso. Tendo tudo isto em conta, os 399€ parecem-me um preço honesto e até competitivo para o conjunto que a Chuwi conseguiu montar aqui. Claro que não é perfeito, mas oferece muito pelo que custa.

Este dispositivo foi cedido para análise pela Chuwi
