A Nestlé criou um método que utiliza polpa, placenta e casca do cacau, elevando a eficiência da produção de chocolate e valorizando os recursos agrícolas.
A Nestlé desenvolveu uma técnica patenteada que permite utilizar até mais 30% da fruta do cacaueiro na produção de chocolate, sem comprometer o sabor. O método reduz o desperdício e pode aumentar tanto o rendimento como o valor obtido pelos agricultores a partir das colheitas de cacau.
O fabrico tradicional de chocolate recorre quase exclusivamente aos grãos de cacau retirados do interior da vagem. Estes são fermentados, secos, torrados e transformados em pasta, que serve de base para o produto final. Contudo, partes significativas da fruta, como a polpa, a placenta e a casca da vagem, permanecem praticamente inutilizadas.
Foi precisamente nesse potencial desperdiçado que a equipa de Investigação e Desenvolvimento da Nestlé encontrou uma oportunidade. A nova técnica integra todas as partes internas da vagem, recolhidas em massa húmida, que fermenta de forma natural e liberta o sabor característico do cacau. Posteriormente, essa massa é moída, torrada e seca, originando flocos de chocolate prontos a serem usados, sem comprometer o perfil sensorial.
De acordo com a empresa, o processo poderá não só aumentar a quantidade de matéria-prima disponível, como também libertar tempo para os agricultores. A maior eficiência na extração pode permitir-lhes dedicar-se a práticas agrícolas como a poda, considerada fundamental para melhorar os níveis de produtividade.