No entanto, Portugal ainda está longe do desempenho de países como Alemanha, França e Reino Unido.
O Barómetro Inventa 2024 revelou que Portugal tem registado um aumento considerável no número de pedidos de patente, evidenciando o crescente interesse pela proteção da propriedade intelectual. Entre 2012 e 2022, o número de solicitações de patente realizadas por entidades portuguesas aumentou significativamente, refletindo uma aposta contínua na inovação e na expansão para mercados internacionais. A análise da evolução das patentes, conduzida pela Inventa, revela que o país tem vindo a consolidar-se como um ator relevante no contexto europeu e global.
Os dados indicam que a principal tendência nas patentes portuguesas tem sido a internacionalização. Entre 2012 e 2022, o número de pedidos de patente internacionais subiu de 420 para 1019, um aumento de mais de 140%, com uma taxa de crescimento anual de 9,1%. A Europa, seguida pelos Estados Unidos, China e Canadá, surge como um mercado-chave para os inovadores portugueses. Estes territórios têm atraído um número crescente de pedidos, o que demonstra a crescente competitividade das invenções nacionais.
Portugal, que ocupa actualmente a 18ª posição no ranking europeu de pedidos de patente, tem vindo a subir gradualmente no índice de inovação. O país subiu cinco posições nos últimos dez anos, o que reflete uma mudança significativa na forma como as organizações portuguesas encaram a propriedade intelectual. Além disso, a competitividade nacional tem sido impulsionada pela crescente presença das universidades no topo do ranking de pedidos. Dez universidades portuguesas destacam-se entre as vinte primeiras posições, com instituições como a Universidade do Minho e a Universidade de Aveiro a liderarem as estatísticas.
As áreas mais representadas nos pedidos de patente em Portugal incluem a farmacêutica, a tecnologia médica, a biotecnologia e a engenharia, com particular destaque para os avanços na saúde e na tecnologia computacional. Apesar de uma ligeira diminuição no número de patentes concedidas em alguns setores, como a farmacêutica, as áreas relacionadas com a saúde e a biotecnologia continuam a registar uma tendência crescente. Este fenómeno reflete a importância estratégica de setores ligados à saúde e à sustentabilidade, que são vistos como fundamentais para o futuro da economia portuguesa.
No entanto, as regiões do Norte, Centro e da Área Metropolitana de Lisboa continuam a concentrar a grande maioria dos pedidos, representando mais de 90% das solicitações. As regiões autónomas e outras partes do país mostram um défice significativo em termos de inovação protegida por patentes, uma disparidade que revela a necessidade de uma maior disseminação das boas práticas de propriedade intelectual a nível nacional.
Os pedidos de patente de origem portuguesa são cada vez mais direcionados para mercados globais. Com 2431 pedidos de patente entre 2012 e 2022, os Estados Unidos continuam a ser o mercado preferido, com um foco particular na transferência de tecnologia. A Europa segue como o segundo destino mais importante, com a protecção das invenções a abranger até 39 países. A China e o Brasil também têm registado um número crescente de pedidos, refletindo a diversificação das estratégias de internacionalização das empresas e inventores portugueses.
No entanto, e como é óbvio, o número de pedidos de patente em Portugal ainda está longe do desempenho de países como Alemanha, França e Reino Unido.
Foto: Adobe