Porém, é coisa para demorar vários anos até ser realidade.
Em março do ano passado, o anterior Governo, liderado pelo ex-Primeiro-Ministro António Costa, apresentava o projeto do Arco Ribeirinho Sul, no Barreiro, no âmbito da iniciativa Governo Mais Próximo, no distrito de Setúbal.
“A margem esquerda do Tejo merece um grande projeto de regeneração urbana”, dizia na altura António Costa. Afinal de contas, o Governo falava de um projeto de requalificação urbana que nascia da vontade de revitalizar e requalificar as zonas ribeirinhas entre os concelhos de Almada, Seixal, Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete, que pretendia “devolver a este território um ambiente seguro, sustentável e atrativo para quem visita a região e para quem nela habita e cresce”. O projeto referenciava o Tejo, como “um rio em forma de um mar de oportunidades ainda por explorar”.
Ficaram prometidas várias coisas: a extensão do Metro Sul do Tejo a outros concelhos da margem sul, um novo terminal fluvial na Moita para fazer ligação a Lisboa, novas pontes rodoviárias entre Barreiro-Seixal e Barreiro-Montijo, e um corredor ribeirinho com via pedonal e ciclável, com estrutura verde, e uma extensão de 38 quilómetros, que ligará Almada a Alcochete. Mas como tem sido apanágio ao longo dos anos, são muitas as promessas, mas poucos os projetos que são, realmente, levados a cabo.
No entanto, a extensão do Metro Sul do Tejo é algo que deve realmente acontecer, até porque, e já este ano, mais especificamente no passado mês de março, ficámos a saber que o Metropolitano de Lisboa iria proceder aos estudos, levantamentos e demais trabalhos acessórios necessários ao lançamento do procedimento de contratação do prolongamento da rede do Metro Sul do Tejo à Costa da Caparica.
O Metropolitano de Lisboa foi a entidade pública escolhida pelo Governo para a concretização destes trabalhos pela experiência nacional e internacional que tem neste domínio e atendendo à natureza do projeto, o grau de complexidade dos trâmites inerentes à concretização dos investimentos em sistemas de transporte coletivo em sítio próprio (TCSP) de elevada capacidade e os prazos associados ao financiamento no âmbito do Programa Ação Climática e Sustentabilidade (PACS).
O prolongamento do sistema de metro ligeiro de superfície da margem sul do Tejo à Costa da Caparica é um dos projetos de sistemas de TCSP na Área Metropolitana de Lisboa considerados prioritários pelo Estado e conta com enquadramento no Programa Ação Climática e Sustentabilidade (PACS) do Portugal 2030. O PACS prevê uma dotação de 3,1 mil milhões de euros, financiados pelo Fundo de Coesão, destinados ao financiamento de projetos enquadrados nas prioridades definidas para este Programa, entre as quais se contam a mobilidade urbana sustentável.
O projeto visa promover uma ligação rápida e estruturante entre o Campus Universitário da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e a Costa da Caparica, estendendo-se num corredor que servirá a Trafaria, São João da Caparica, Quinta do Torrão, Quinta de Santo António e Costa da Caparica, assegurando uma melhor conetividade deste território à atual rede do Metro Sul do Tejo.
Desde então, não tivemos mais novidades… até esta semana. É que, na próxima segunda-feira, dia 15 de julho, será assinado o protocolo de colaboração entre a Câmara Municipal de Almada, o Metropolitano de Lisboa e a TML (Transportes Metropolitanos de Lisboa), que tem por objeto definir os termos e condições de cooperação a estabelecer entre as partes, tendo em vista o estudo, planeamento e concretização do projeto de prolongamento do Metro Sul do Tejo até à Caparica e Trafaria, designadamente no que se refere ao seu objeto, custos, faseamento e definição do traçado.
Este novo troço visa reduzir a dependência do transporte individual, respondendo assim ao compromisso de Portugal de atingir a neutralidade carbónica em 2050.
Mais detalhes serão revelados na próxima segunda-feira.
Foto: Metro Sul do Tejo/Grupo Barraqueiro
