Carlos Coutinho Vilhena e Catarina Rebelo dão palco à saúde mental em Síndrome de Lisboa

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O projeto é a prova de como se pode fazer comédia com assuntos sérios e chamar a atenção para os mesmos.

O novo projeto de Carlos Coutinho Vilhena, Síndrome de Lisboa, esteve em cena em Torres Novas, no Teatro Virgínia, e eu estive lá a assistir. Em cima do palco esteve o humorista e a atriz formada em psicologia – um pormenor importante – Catarina Rebelo.

Vai ser um desafio escrever uma crítica a Síndrome de Lisboa sem deixar escorregar qualquer spoiler que seja, mas garanto que vou tentar.

Para abrir esta crítica, pego novamente no podcast Humor à Primeira Vista, de Gustavo Carvalho, que recebeu recentemente Coutinho Vilhena. Ao promover Síndrome de Lisboa, o comediante disse que o público não iria conseguir distinguir o que é real do que é ficção. Quem está na audiência não vai perceber o que faz parte do texto e o que é improviso.

E neste novo projeto isso acontece um pouco durante todo o espetáculo. Há vários momentos em que o público não consegue perceber se aquilo que acabou de acontecer faz parte do texto ou se foi mero acaso ou improviso dos atores. Aquela hora e meia de peça é uma mistura entre texto forte, surpresas e gargalhadas.

Mas vamos tentar dar uma estrutura lógica a esta crítica, de preferência sem revelar nada.

Síndrome de Lisboa é uma peça escrita e encenada por Carlos Coutinho Vilhena – em conjunto com Pedro Durão -, um dos humoristas da nova escola de humor nacional, e que desmistifica aquele preconceito de que um comediante só sabe escrever comédia. Claro que há momentos hilariantes no decorrer da peça, mas aconselho a quem for ver, que vá de mente aberta e ciente de que este não é, de todo, um espetáculo de stand up comedy.

A peça tem como cenário uma consulta de psicologia, em que Carlos Coutinho Vilhena – personagem interpretada por Carlos Coutinho Vilhena – vai muito contrariado procurar ajuda profissional da psicóloga que pretende deixar de o ser, interpretada por Catarina Rebelo – é aqui que a formação de psicologia da atriz tem muita importância, pois dá muito mais força à personagem.

Os vários atos da peça são marcados pelo ligar e desligar das luzes, e cada um é uma nova consulta. Acompanhamos a evolução da relação das duas personagens e o crescimento de Carlos como pessoa, ou seja, somos capazes de observar em “tempo real” o resultado da terapia.

A peça aborda o tema da saúde mental, que como Carlos (personagem) diz “está muito na moda”. Não se trata de uma moda, mas sim um tema extremamente importante de ser abordado e olhado com outros olhos. Em Síndrome de Lisboa é isso que acontece. Carlos Coutinho Vilhena – o comediante, não a personagem – conseguiu trazer para cima de um palco uma visão cómica, mas que consegue ser dramática em simultâneo, sobre este assunto tão fraturante da sociedade atual.

O jogo de cintura que Carlos Coutinho Vilhena e Pedro Durão tiveram no processo de escrita desta peça revela uma enorme maturidade, pois é possível distanciar facilmente os momentos parar rir dos momentos para refletir. Podemos num minuto estar a rir bastante com alguma parvoíce que qualquer um dos atores disse – Catarina Rebelo também demonstra a capacidade cómica que as produções televisivas ainda não lhe deram -, e no minuto seguinte estar atentos e a interiorizar as palavras da psicóloga e, quem sabe, a ligá-las a algo que esteja a acontecer connosco.

A aceitação do público perante um texto tão imprevisível, com momentos que nos deixam a pensar se foi improviso ou parte da atuação, e sobre uma temática de tão grande importância é, também, de louvar.

Agora que já leram a crítica ao espetáculo, ainda vão a tempo de ver. E vejam. Façam um favor a vocês mesmos e vejam.

Seguem-se Lisboa (9 e 10 de junho) e Porto (15 e 16 de junho). O humorista já revelou que vão ser marcadas mais datas para outras cidades.

Fotografia: Facebook do Teatro Virgínia

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